quinta-feira, 15 de março de 2012

Saudades



Que saudades daquele interior, que fica pelas bandas de lá. Talvez se eu fale ninguém o conheça, mas quem viveu talvez não esqueça. Saudades dos dias de chuva. Aquele “cheiro de verde”, eu olhava e enchia os olhos com a imensidão , as gotas caindo, molhando aquela terra, matando a sede dos bichos, antes era quase sertão. Não ouvia buzinas, a não ser dos tios para anunciar a chegada tão esperada aos domingos, eram os pássaros quem fazia a festa. Eles cantavam e me encantavam todas as manhãs naquele pé de seriguela. Este o meu passatempo naqueles dias que seguiam, lento quase parando! A vida não tinha pressa e nem me exigia correria. Eu era tão feliz na minha inocência que não sabia o que a vida na cidade me traria, corria feliz e leve. “SÓ” levava a alegria de brincar com os pés descalços naquele chão, tomando banho de chuva e minha avó gritando: “menina olha o trovão”. Ah minha avó, minha saudade maior é dela... Cozendo naquelas panelas de barro, parece que dali disseminava o sabor, que hoje delicio nas lembranças... Saudades da galinha caipira, todos à mesa aprovando os momentos de união.  Saudades dos primos correndo, caindo e alguma mãe gritando: passa pra dentro “minino”. Aquelas competições que fazíamos minhas primas e eu, de quem chegava mais rápido a lagoa ou qual o bicho que entoa. Brincadeira de povo do interior é assim, não tinha Play Station, nem Xbox, não sabia o que era The Sims, brincava de corda, de pega, esconde e trampolim, mas que vovó nunca saiba, nosso trampolim era a cama ou quando não era o chão, que amortecia a queda com aquela areia meio branca e fofinha. Lembro dela me dizendo: um dia isso tudo será de vocês! Esta natureza é nossa minha filha, zele pelo que Deus nos deu.
E hoje com meu coração em alegria diante de tantas lembranças boas, eu divido com você que viveu. Quem não viveu só lamento... Você na sua era dos enlatados não pôde sentir as gotas de orvalho, mas a culpa não é sua talvez, não te culpo nem condeno, pois eu quem tive a sorte de viver onde vivi e trazer até hoje comigo, um pouco do que tava ali. Naquelas terras lá pelas bandas do Aracati.